“A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?” por Bruce Anstey
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Sera' que Galatas 3:7-9, 29 ensina que os cristaos sao filhos de Abraao?

Os teólogos do Pacto ensinam que a promessa que Deus fez a Abraão — de que pessoas de “todas as famílias da terra” seriam abençoadas como “filhos” de Deus mediante a fé (Gn 12:1-3; 13:14-16; 15:5-6) — estaria se cumprindo hoje. Por conseguinte, os cristãos seriam israelitas espirituais. Os versículos que usam do Novo Testamento para supostamente provar isso são apresentados nos próximos tópicos.

DEUTERONOMIO 18:15-19:13

Esta passagem tem a ver com o homicida e as cidades de refúgio. Todavia, ela não começa falando deles, mas começa no versículo 15 do capítulo 18 com a promessa de Deus levantar “um Profeta” no meio da nação de Israel (Dt 18:15-22). Esse Profeta é o Senhor Jesus Cristo (Lc 7:16; Jo 1:21; 6:14; At 3:23; 7:37). É dada grande ênfase às “palavras” de Deus como estando “em Sua boca” (Jo 7:16-17; 8:47; 17:8) e na necessidade que o povo tem de recebê-las.

LEVITICO 16

A ordem como a expiação era aplicada à casa de Aarão e à casa de Israel reflete a ordem dispensacional de Deus. Aarão e sua família formam um bem conhecido tipo de Cristo e da Igreja. Eles permaneciam diante de Deus como uma família de sacerdotes durante a economia mosaica. De maneira similar, os cristãos formam uma companhia de sacerdotes que permanecem diante de Deus hoje no santo dos santos (1 Pe 2:5; Ap 1:5-6; Hb 10:19-22). A casa de Israel é uma figura da nação de Israel que será introduzida na bênção na Manifestação de Cristo.

GENESIS 29-33

Nesta série de capítulos “Jacó” é um tipo de Cristo. Ele saiu da casa de seu pai para um país distante — “Padã-Arã” — (Gn 28). Trata-se de uma figura de Cristo vindo de Seu Pai para este mundo em Seu primeiro Advento. Jacó saiu da casa de seu pai por dois motivos: primeiro, por causa de pecado (Gn 27), e segundo, para buscar uma esposa (Gn 28:15) — as mesmas duas razões pelas quais o Senhor veio a este mundo. A diferença principal é que Jacó saiu da casa de seu pai por causa de seu próprio pecado, mas Cristo não tinha pecado.

JOAO 1-2:11

Após apresentar o Senhor Jesus Cristo em Sua deidade (vers. 1-4), o apóstolo João registra que a condição do povo era tal que não o tinham visto pelo que Ele era. “E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (vers. 5). Conhecendo a condição do homem, Deus enviou um mensageiro (João Batista) para anunciar a vinda da “Luz” ao mundo (vers. 6-9). Isso causou, da parte do povo, uma aberta rejeição ao Senhor (vers. 10-11), exceto em alguns poucos que eram nascidos de Deus (vers. 12-13). Aqueles que tinham fé viram “a sua glória” e receberam “da sua plenitude”, experimentando assim a “graça e verdade” que Ele trouxe ao homem (vers. 14-18).

JOÃO 7

JOÃO 7

A maior de todas as festas religiosas celebradas pelos judeus era a Festa dos Tabernáculos, uma festa que durava oito dias inteiros. Ela era verdadeiramente o ponto alto de todas as festas que a precediam no sétimo mês de seu calendário. O Senhor esperou até o “último dia, o grande dia da festa” — quando os judeus já haviam experimentado sua religião terrestre em sua totalidade — e então clamou: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba” (Jo 7:37). Ele sabia que eles não ficariam satisfeitos com a mera religião — mesmo que fosse uma religião que tivesse sido dada por Deus — se Ele fosse deixado fora dela. A religião sem Cristo é, no máximo, uma religião vazia e só deixa a alma vazia e sedenta.
O clamor do Senhor nessa ocasião indicava que Ele iria substituir as formas cerimoniais da religião judaica por um relacionamento com Sua própria Pessoa (Cl 2:17). Ele é suficiente para preencher e satisfazer o coração humano. Este fato indica que uma mudança dispensacional estava chegando. João acrescenta que isso ocorreria quando Cristo fosse glorificado e o Espírito Santo fosse dado (Jo 7:39). Estas duas grandes coisas caracterizam o Cristianismo:
  •         Um Homem na glória
  •         O Espírito Santo enviado a este mundo.


Estas são verdades cardeais que distinguem a nova ordem celestial na Dispensação do Mistério. Cristo glorificado nas alturas é o centro do novo programa de Deus; não se trata de Cristo na terra como Messias de Israel, como na antiga dispensação. Cristo seria o Foco do crente, e o Espírito Santo habitando nos crentes seria o poder pelo qual as novas alegrias do Cristianismo seriam possuídas e desfrutadas.



Promessas Distintas Dadas à Igreja

Promessas Distintas Dadas à Igreja

Além das bênçãos e privilégios especiais que a Igreja recebeu os cristãos também receberam “grandíssimas e preciosas promessas” (2 Pe 1:4). No Antigo Testamento Abraão e outros receberam grandes promessas, mas o apóstolo Pedro nos diz que “grandíssimas” promessas foram reservadas para aqueles na Igreja. Mais uma vez isto aponta para o fato de a Igreja ter sido escolhida dentre todos os outros grupos de santos e favorecida de maneira especial. A seguir apresentaremos algumas destas promessas.
Segurança eterna (Jo 10:27-28). Temos a promessa de estarmos eternamente seguros. Os santos do Antigo Testamento não possuíam esta certeza (Sl 51:11, etc.).
Intercessão de Cristo como Sumo Sacerdote e Advogado (Rm 8:34). Cristo prometeu nos manter na senda da fé de uma maneira tal que os santos do Antigo Testamento nunca conheceram. Temos a Ele intercedendo por nós nas alturas como nosso Sumo Sacerdote em nossa peregrinação espiritual da terra ao céu. Ele é um Homem na glória que caminhou neste mundo e foi tentado (testado) de todas as maneiras que um homem justo poderia ser testado. Por isso Ele conhece, sente e se compadece de nós em cada tribulação que experimentamos em nosso caminho (Hb 4:14-15). Se necessário, Ele também atua como nosso Advogado diante do Pai no caso de falharmos em nosso andar, restaurando-nos assim à comunhão com o Pai (2 Jo 2:1-2). O Senhor não poderia ter sido um Sumo Sacerdote para os santos do Antigo Testamento porque para ser sacerdote alguém precisaria ser um homem e ter experimentado a vida na terra como homem (Hb 5:1-2). Naquele tempo Cristo ainda não havia se tornado um Homem.
O Arrebatamento (Jo 14:2-3; 1 Ts 4:15-18; 1 Co 15:51-57). Temos a promessa de sermos glorificados como Cristo e levados para o lar no céu no Arrebatamento, sem experimentarmos a morte! É esta a “bem-aventurada esperança” do cristão (Tt 2:13). Os santos do Antigo Testamento não tinham esta promessa dada a eles; nada sabiam sobre este aspecto da vinda do Senhor, e tampouco tinham a esperança da glorificação.
Em suma, o Senhor prometeu nos manter eternamente seguros, nos mantêm em comunhão Consigo e com o Pai ao longo do caminho da fé, e nos levará para o lar celestial. Estas são promessas maiores que qualquer coisa que o Senhor tenha prometido aos santos do Antigo Testamento.

A grande conclusão que tiramos de todas estas bênçãos, privilégios e promessas é que a Igreja (os cristãos) foram agraciados com um lugar de especial favor diante de Deus. O apóstolo Paulo chama estas coisas de “riquezas incompreensíveis de Cristo” (Ef 3:8).



Privilégios Distintos da Igreja

Privilégios Distintos da Igreja

Com base nestas grandes bênçãos, a Igreja recebeu privilégios muito maiores que os recebidos pelos santos de outras épocas. Damos a seguir apenas três exemplos destes privilégios.
Acesso ao “Santuário” (Hb 4:14-16; 10:19-22). Os cristãos, por formarem um grupo de sacerdotes celestiais (1 Pe 2:5; Ap 1:6), têm acesso à própria presença de Deus — no mais santo lugar, no santuário celestial (Hb 8:1-5; 9:11). Este é um privilégio que nenhum dos filhos de Aarão teve no Judaísmo. O sumo sacerdote do sistema judaico podia entrar no santo lugar do santuário terrestre “uma vez no ano, não sem sangue”, o qual ele espargia sobre o propiciatório (Hb 9:7). Isto demonstrava que “o caminho do santuário”, tal qual o temos no Cristianismo, ainda “não estava descoberto enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo” naquela época (Hb 9:8). O sumo sacerdote só entrava ali uma vez por ano, mas nós entramos no lugar celestial com nossas orações e louvor em qualquer tempo. Além disso, o sumo sacerdote entrava no santo dos santos em tremor e temor, mas nós podemos entrar com santa “ousadia” e “em inteira certeza de fé” (Hb 10:19, 22). Todas as outras pessoas naquele sistema judaico adoravam a Deus de longe, fora do véu, por meio de um sistema de ordenanças envolto em muito ritual. Os cristãos, como um todo, podem se dirigir a Deus com intimidade e entendimento — o que é indicado pelo clamor, “Aba, Pai” (Rm 8:15; Gl 4:6). “Aba” indica intimidade e “Pai” entendimento.
Discernimento dos propósitos de Deus (Ef 1:8-10). Por serem filhos de Deus, os cristãos foram informados dos segredos do coração de Deus que ficaram escondidos dos santos das épocas passadas (Rm 16:25; Ef 3:2-5; Cl 1:25-27). A intenção de Deus foi que esta privilegiada companhia de filhos (a Igreja) ficasse ciente do Seu propósito eterno. Portanto, foi do agrado do Pai desvendar a nós a verdade do “grande mistério” (Ef 1:4-8; 5:32) que Ele “derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento” (Ef 1:8 NVI). Consequentemente nos foi dado saber o que Ele está fazendo no mundo agora, tendo em vista o mundo vindouro — o Milênio. Ele deu à Igreja um discernimento especial quanto ao Seu plano de exibir publicamente a glória do Seu Filho naquele futuro dia milenial. Assim a Igreja se tornou depositária do conselho de Deus a respeito de Seu propósito para o futuro.
Este é um tremendo privilégio que os santos do Antigo Testamento não tinham, pois até agora (o Dia da Graça) ele era um “mistério [segredo] que desde tempos eternos esteve oculto” (Rm 16:25). É triste precisarmos admitir que, devido ao estado de ruína no testemunho cristão, e mesmo tendo estas coisas sido reveladas nas Escrituras à Igreja, muitos cristãos não conhecem estas revelações tão maravilhosas!

Reinar publicamente com Cristo (Lc 22:29; 2 Tm 2:12; Ap 22:5 — “e reinarão para todo o sempre”). Como reis (Ap 1:6), os cristãos têm a perspectiva de reinarem com Cristo no reino milenial. Os santos do Antigo Testamento serão glorificados juntamente com todos os santos celestiais naquele dia (Hb 11:40). Eles estão designados para serem amigos do Noivo (Jo 3:29), mas não tomarão parte na administração do mundo vindouro; eles não reinarão com Cristo. Este é um privilégio muito especial dado apenas à Igreja (Ap 21:9-22:5).



As bênçãos características da Igreja

As bênçãos características da Igreja

Existem bênçãos especialmente dadas a essa companhia “chamada para fora” (a Igreja), as quais são exclusivas desse grupo de crentes. Nenhum crente nos tempos do Antigo Testamento, ou no futuro período do reino milenial, jamais teve ou terá estas “bênçãos espirituais” (Ef 1:3). Portanto, aqueles que fazem parte da Igreja (os cristãos) foram selecionados dentre todos os filhos de Deus como possuindo um lugar privilegiado diante dEle. Eles foram escolhidos por Deus para ocuparem o lugar mais próximo possível de relacionamento com Cristo que Deus poderia proporcionar (como corpo e esposa de Cristo). Dentre todas as pessoas abençoadas da imensa família de Deus, apenas os cristãos são Seus “primogênitos” (Hb 12:23). O termo “primogênito” refere-se àquilo que é classificado como primeiro e tem preeminência sobre todos os outros (Sl 89:20-27; Jr 31:9; Cl 1:15, 18, etc.).
Existem bênçãos que pertencem a toda a família de Deus; que são de propriedade comum a todo o Seu povo, seja ele formado pela Igreja ou pelos santos do Antigo Testamento, do milênio etc. Todos estes possuem o novo nascimento, um lugar na família de Deus, comunhão com Deus de acordo com a luz que lhes foi dada, etc. Os cristãos também possuem estas bênçãos, mas possuem ainda muito mais. As bênçãos dos cristãos são de um caráter muito mais elevado e estão fundamentadas na redenção já consumada e na aceitação que o Senhor desfruta à destra de Deus. A posição que o Senhor Jesus ocupa à destra de Deus é indicada nas epístolas de Paulo pela expressão “Cristo Jesus”. Quando as Escrituras dizem “Jesus Cristo” estão se referindo ao Senhor descendo dos céus para fazer a vontade de Deus em cumprir a redenção por meio da morte; quando as Escrituras dizem “Cristo Jesus” elas estão se referindo a Ele ressuscitado e elevado às alturas à destra de Deus.
O que é maravilhoso na graça de Deus é que os cristãos são mencionados como estando “em Cristo Jesus” — não “em Jesus Cristo”. Isto significa que nossas conexões com Ele não são como as que Ele tinha neste mundo com Israel, mas do modo com Ele está agora, como a Cabeça ressuscitada e ascendida da nova raça na criação (2 Co 5:16-17). Estar “em Cristo” significa que ocupamos o mesmo lugar de aceitação que pertence a Cristo diante de Deus! A mesma medida de Sua aceitação à destra de Deus é a que nos pertence — pois permanecemos no lugar que pertence a Ele diante de Deus (1 Jo 4:17). Olhamos para o alto e vemos um Homem na glória com todo o favor de Deus colocado sobre Ele, e sabemos que esse é também o nosso lugar. Que posição maravilhosa esta em que a graça soberana nos colocou!
Nós não apenas estamos “em Cristo”, como também todas as bênçãos singulares que pertencem ao cristão são ditas como sendo “em Cristo”. Isto significa que nossas bênçãos são encontradas no Homem que está assentado à destra de Deus. Algumas destas bênçãos são apresentadas a seguir.
Redenção em Cristo Jesus (Rm 3:24). Significa que compreendemos que fomos resgatados e libertados da condenação que nossos pecados demandavam, do poder do pecado, de Satanás e do mundo. Esta redenção está fundamentada na obra consumada de Cristo e na certeza de estarmos em uma posição diante de Deus onde tais demandas já não têm poder sobre nós.
Israel, no Antigo Testamento, não possuía tal bênção. Eles sabiam da redenção apenas em um sentido físico, havendo sido redimidos do jugo da escravidão no Egito (Êx 6:6). Nossa redenção é algo espiritual em conexão com a posição que Cristo ocupa nas alturas.
Perdão de pecados em Cristo (Rm 4:7; Ef 4:32). Isto se refere ao fato de o crente conhecer de forma consciente que foi perdoado de seus pecados por compreender o que Deus fez por meio da obra consumada de Cristo na cruz. O resultado é que sua consciência foi purificada de sua culpa e esta já não o acusa de seus pecados — ao menos naquilo que diz respeito ao seu destino eterno (Hb 9:14). Com base naquilo que Cristo consumou ao fazer a expiação, os crentes compreendem que Deus jamais irá trazer à tona seus pecados para juízo, pois se o fizesse seria injusto, uma vez que Cristo já pagou a dívida total por eles.
Os israelitas nos tempos do Antigo Testamento não conheciam este aspecto do perdão. A eles era oferecido o perdão governamental, com a condição de apresentarem a Deus oferendas pelo pecado (Lv 4). O perdão governamental ou administrativo é um perdão que é concedido por Deus em função do Seu modo administrativo de agir para com o Seu povo (caso eles tivessem cometido algum pecado), e é baseado no arrependimento que a pessoa demonstra em relação àquele pecado. Trata-se de um perdão conectado apenas à vida aqui na terra e nada tem a ver com o destino eterno daquela pessoa. Os santos do Antigo Testamento não conheciam este aspecto cristão do perdão de pecados (perdão eterno) que o Evangelho da Graça de Deus anuncia. Ele foi primeiramente anunciado pelo Senhor após a redenção ter sido consumada (Lc 24:47). Consequentemente, aqueles que viviam nos tempos do Antigo Testamento não tinham a certeza de seus pecados terem sido perdoados e nem a consciência purificada do modo como os cristãos hoje têm (Sl 25:7, 18).
Justificação em Cristo Jesus (Rm 4:25-5:1; Gl 2:16-17). A justificação significa que fomos livrados de todas as acusações que pesavam contra nós por termos sido introduzidos em uma nova posição diante de Deus em Cristo. Os cristãos são “justificados em Cristo” (Gl 2:17); o resultado disto é que Deus já não nos enxerga como pecadores. Para que os cristãos possuíssem esta bênção o Senhor precisou morrer e ressuscitar de entre os mortos. O apóstolo Paulo disse que o Senhor “por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação” (Rm 4:25). Ele também afirmou que o Senhor precisava ser recebido “à direita de Deus” para nos assegurar esta nova posição na presença de Deus — que é aonde a justificação leva o crente (Rm 8:33-34).
Os santos do Antigo Testamento não poderiam ter tido esta bênção, pois naquele tempo Cristo ainda não havia ressuscitado e nem tinha ascendido à Sua posição diante de Deus nas alturas. Os santos do Antigo Testamento eram considerados justos com base em sua fé — como foi o caso de Abraão (Rm 4:1-3) — mas eles não eram justificados no sentido cristão da justificação.
O dom da habitação do Espírito em Cristo — Isto tem a ver com o crente receber o Espírito Santo. Também se refere à unção, ao selo e penhor do Espírito. (Rm 5:5; 2 Co 1:21-22; Ef 1:13; 1 Ts 4:8; 1 Jo 3:24). Como consequência os cristãos possuem o Espírito de Deus “neles” e também “com” eles, e isto é algo que durará “para sempre” (Jo 14:16-17).
Esta é outra bênção que os santos de outras épocas não possuíam, pois Cristo precisava ser primeiro glorificado para que o Espírito pudesse ser enviado (Jo 7:39). O Espírito de Deus descia sobre os crentes no período do Antigo Testamento a fim de capacitá-los para uma determinada obra e depois partir (2 Pe 1:21; Nm 11:17; Jz 14:6 etc.). Mas o Espírito de Deus nunca veio habitar nos crentes naquela época do modo como Ele habita hoje na Igreja.
Reconciliação em Cristo Jesus (Rm 5:10; Ef 2:13; Cl 1:21). A reconciliação tem a ver com o fato de Deus trazer de volta para Si as Suas novas criaturas em uma nova condição de paz e harmonia (1 Pe 3:18). Isto foi feito para que a comunhão entre Deus e os homens crentes pudesse ser retomada com base na redenção. Como consequência, a comunhão agora entre Deus e os homens redimidos ocorre em um plano muito mais elevado que aquela que Deus tinha com os crentes nos tempos do Antigo Testamento. Agora Deus pode se deleitar na comunhão com Suas criaturas de uma maneira como Ele nunca antes conseguiu desfrutar (Cl 1:21-22), e também de modo a fazer com que os crentes se sintam felizes e confortáveis em Sua presença a fim de poderem se gloriar em Deus (Rm 5:10-11).
Os santos do Antigo Testamento não possuíam esta bênção. Eles tinham comunhão com Deus, mas não podiam se gloriar em Deus desta maneira, pois não conheciam o perdão e a justificação que fazem parte da grande obra de reconciliação.
Santificados em Cristo Jesus (Rm 6:19; 1 Co 1:2). Santificação significa separação. No sentido cristão da palavra, ela tem a ver com o fato de o crente ter sido separado pelo novo nascimento (1 Co 6:11; 2 Ts 2:13; 1 Pe 1:2) e pela obra consumada de Cristo (At 26:18; Rm 1:1; 1 Co 1:2, 30; Hb 10:10; 13:12), e o crente estar assim em um lugar santo com Deus. A santificação tem a ver com uma obra vital e interior na alma, pela qual os crentes são feitos santos por terem uma nova vida comunicada a eles. Eles estão assim separados da massa de homens incrédulos que caminha para a destruição eterna (Sl 90:3).
Israel, como nação, era santificada e, portanto, separada das outras nações da terra (Êx 31:13; 33:16; Dt 32:8; 1 Rs 8:53), mas sua santificação era puramente exterior. Não era o resultado de suas almas terem sido salvas (1 Pe 1:9). Eles deviam se santificar na prática (Êx 19:14 etc.), mas isto tampouco fazia com que tivessem sido separados para a bênção eterna. A santificação “em Cristo” é algo completamente diferente e só pode ser conhecida no Cristianismo.
Vida eterna em Cristo Jesus (Rm 6:23; 2 Tm 1:1). A vida eterna tem a ver com o fato de o crente possuir vida divina em sua alma, associada a uma compreensão do relacionamento especial que desfruta com o Pai e o Filho através do Espírito Santo (Jo 17:3). Para que o crente tivesse este aspecto da vida divina era necessário que o Filho de Deus tivesse vindo a este mundo para revelar o Pai (Jo 1:18; 14:9), que a redenção tivesse sido consumada (Jo 3:14-15) e que o dom do Espírito de Deus tivesse sido dado (Jo 4:14). A “vida eterna” não indica meramente uma vida divina de duração ilimitada, mas se refere ao caráter dessa vida. Trata-se da própria vida que o Pai e o Filho, juntos, desfrutaram em sua comunhão desde a eternidade passada. É por possuir esta vida que o cristão pode desfrutar de comunhão com o Pai e com o Filho (1 Jo 1:3).
Os santos do Antigo Testamento tinham vida divina, uma vez que eram nascidos de novo. Portanto eles faziam parte da família de Deus. Todavia, eles não tinham este caráter da vida, pois Cristo ainda não tinha vindo revelar o Pai, e nem a redenção tinha sido consumada ou tampouco o Espírito sido dado. Os santos do Antigo Testamento tinham a esperança de viver para sempre na terra sob o reinado de seu Messias. Daniel chama a isto de “vida eterna” (Sl 133:3; Dn 12:2), mas não se trata da vida eterna como é apresentada no Novo Testamento. Portanto, eles desfrutavam de comunhão com Deus, mas não a comunhão existente entre o Pai e o Filho.
Libertação em Cristo Jesus (Rm 8:1-2). Por meio “da lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus” o cristão dispõe de uma libertação real do poder da natureza pecaminosa que existe nele. Isto se refere à presença do Espírito de Deus que habita em si e trabalha no crente para anular as inclinações da carne, capacitando-o a viver uma vida santa, a qual é livre da interferência da carne. Na prática, a sua vitória sobre a carne depende de ele viver “para as coisas do Espírito”, que são os interesses de Deus e de Cristo (Rm 8:5-6, 13).
Os santos do Antigo Testamento também não contavam com esta bênção. Eles permaneciam mais ou menos no estado do homem descrito em Romanos 7:7-25. Eles eram nascidos de Deus, porém não tinham o poder do Espírito trabalhando neles para refrear a carne. Consequentemente eles viviam no temor de que a carne pudesse tomar o controle de suas vidas (Sl 19:12-13 etc.).
Filiação em Cristo Jesus (Rm 8:14-15; Gl 3:26; 4:5-7). A palavra “filiação” no grego tem o significado de “lugar de filho” (Gl 4:5; Ef 1:5). Como filhos, os cristãos foram colocados no mesmo lugar em que o próprio Filho permanece diante de Deus. Ocupamos um lugar no qual Deus nos fez “agradáveis a Si no Amado” (Ef 1:6). Ocupamos este lugar por causa de nossa conexão com Cristo — o “Filho do Seu amor” (Cl 1:13). Por isso o termo vai muito além de meramente “aceitos” (como está Ef 1:6 na versão inglesa King James) e denota o desfrutar de uma afeição especial vinda do Pai. Por estar no lugar em que Cristo está o cristão permanece diante de Deus em uma posição que está muito acima daquela ocupada por anjos, acima até da posição ocupada pelo arcanjo Miguel! A grande bênção da “filiação” é que desfrutamos:
·         Do lugar de favor do Filho (Ef 1:6).
·         Da vida — a vida eterna do Filho (Jo 17:2).
·         Da liberdade que o Filho tem diante do Pai (Rm 8:14-16).
·         Da herança do Filho (Rm 8:17).
·         Da glória do Filho (Rm 8:18; Jo 17:22).
Um lugar assim de privilégio na família de Deus não foi dado aos santos do Antigo Testamento. Em Gálatas 4:1-7 o apóstolo Paulo mostra a diferença. Ele dá o exemplo de uma família israelita, assinalando a diferença entre um “menino” e um “filho” na família. Ele indica que aqueles que foram convertidos do Judaísmo por crerem no evangelho são como “meninos” que atingiram certa idade. Eles deixaram a posição de crianças e agora estão na posição de “filhos” na família de Deus. A cerimônia judaica do Bar mitzvah ilustra isto. Em uma família de judeus, quando um menino chega aos treze anos de idade ele é formalmente elevado da condição de criança para a de filho na família, desfrutando então de maior liberdade e privilégios no lar. Essa mudança de posição ilustra o lugar que ocupa o cristão na família de Deus, comparada àquela ocupada pelos judeus nos tempos do Antigo Testamento. Observe a mudança de “nós” para “vós” nos pronomes do versículo 5 para o 6 de Gálatas 4: “Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de [nós] recebermos a adoção de filhos. E, porque [vós] sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai”. No primeiro caso, “nós” se refere aos crentes judeus, e no segundo, “vós” aos crentes gentios.
Herdeiros da herança em Cristo (Rm 8:17; Ef 1:10-11; Gl 3:29). Ao cristão foi dada uma herança que é muito maior que aquela prometida a Israel. A herança do cristão inclui todas as coisas criadas nos céus e na terra. Essa herança é compartilhada igualmente com Cristo, pois Sua herança também nos pertence. A herança em si não é uma bênção espiritual, mas o direito de herança para reinar com Cristo sobre tudo; uma bênção ímpar que pertence apenas aos cristãos. Israel receberá sua herança literal quando tomar posse da terra que foi prometida a Abraão, ou seja, aproximadamente oitocentos mil quilômetros quadrados. A herança do cristão é todo o universo!
Nova Criação em Cristo Jesus (Rm 8:29; Gl 6:15; 2 Co 5:17). Quando Cristo ressuscitou de entre os mortos Ele foi feito Cabeça de uma nova raça humana (Cl 1:18), à qual pertencemos por sermos do mesmo tipo e substância do próprio Cristo (Hb 2:11-13; Gl 3:29 — “de Cristo”). Sendo assim, somos perfeitamente adequados para sermos Suas companhias eternas nos céus. A formação dessa raça é um trabalho em andamento. Temos a nova vida em nossa alma agora mesmo, e já ocupamos uma nova posição diante de Deus sob Cristo como Cabeça. Mas ainda existe um trabalho de conformidade moral com Cristo que está sendo feito em nós pelo Espírito e ainda não está terminado (2 Co 3:18). Além disso, os nossos corpos aguardam para serem transformados. Na vinda do Senhor (no Arrebatamento) a mudança de Adão para Cristo estará completa. Então “traremos também a imagem do celestial” (1 Co 15:49) e seremos glorificados fisicamente à semelhança de Cristo (Fp 3:21) e moralmente também (1 Jo 3:2).
Os santos do Antigo Testamento, na posição que ocupavam, não faziam parte desta raça da nova criação, pois não poderia ter existido uma nova raça humana até que Aquele que é a Cabeça dessa nova raça tivesse sido ressuscitado de entre os mortos. Os santos do Antigo Testamento possuíam nova vida e um dia farão parte dessa nova raça no Estado Eterno (apesar de nunca se tornarem parte da noiva de Cristo — Ap 21:2), enquanto os cristãos já fazem parte dessa nova raça agora mesmo como “primícias do Espírito” (2 Co 5:17; Rm 8:23).
Membros do “Um Só Corpo” em Cristo (Rm 12:5; 1 Co 12:12-13). Os cristãos são membros do corpo de Cristo (Ef 5:23-32). Alguns chamam a isto de “união”. Pelo fato de serem habitados pelo Espírito de Deus os cristãos na terra estão unidos a Cristo. As Escrituras dizem: “Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é [o] Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito” (1 Co 12:12-13). Como regra geral, o termo “o Cristo” nas epístolas de Paulo refere-se à união mística dos membros na terra ligados à Cabeça no céu pela habitação do Espírito.

Não poderia ter existido uma união com Cristo até que Ele ressuscitasse de entre os mortos e ocupasse Seu lugar nas alturas como Cabeça do corpo. Os israelitas eram membros da família escolhida de Abraão, e abençoados em conexão com este relacionamento, mas eles não possuíam uma união no corpo de Cristo por terem vivido antes de Sua ressurreição de entre os mortos e antes que o Espírito tivesse sido enviado.



Um chamado especial de crentes para formarem a Igreja

Um chamado especial de crentes para formarem a Igreja

Primeiro ele diz: “que os gentios são co-herdeiros” nessa coisa nova que Deus está edificando — a Igreja. Outra tradução mais correta diz que “os pagãos são chamados a participar da mesma herança”, indicando existir um chamado especial para tirar, de entre as nações, os crentes que Deus predestinou para compartilharem de um lugar juntamente com Cristo neste algo novo — a Igreja. Este chamado de Deus não está trazendo das nações gentias multidões para Jeová, como foi anunciado no Antigo Testamento para virem a ter um lugar no reinado do Messias sob Israel (Zc 2:11; 8:22-23; Is 11:10; 14:1; 56:3-7; 60:1-5; Sl 22:27; 47:9; 72:10-11). O chamado ainda futuro irá resultar numa conversão exterior das nações gentias, o que acontecerá quando forem a Cristo em Sua glória no reino. Elas farão aliança com o Deus de Israel por medo de serem julgadas; não será necessariamente uma obra de fé em seus corações (Sl 18:44-47; 66:1-3; 68:28-31; Is 60:14), apesar de que muitos dos gentios entre eles irão sinceramente crer (Ap 7:9-10).
Essa convocação é vista também em Atos 15:3, onde fala da “conversão dos gentios” ou, literalmente, “conversão daqueles dentre as nações”. Como já foi mencionado, não se trata da conversão das nações gentias como um todo — o que ocorrerá no futuro — mas de um chamado especial feito pelo evangelho por meio do qual um seleto número de pessoas de entre os gentios é chamado para fora. Isto é mais uma vez declarado em Atos 15:14, que menciona “como primeiramente Deus visitou os gentios, para tomar deles [dentre eles] um povo para o Seu nome”.
Esta obra especial de Deus por meio do evangelho também envolve o chamado de alguns judeus para fora da nação de Israel para fazer parte deste algo novo — a Igreja. Deus está tirando determinados judeus para fora de seu lugar de origem na nação de Israel e os colocando na Igreja. Paulo era um exemplo disto. O Senhor lhe disse: “Livrando-te deste povo [Israel]...”, ou, literalmente, “livrando-te de entre o povo [Israel]” (At 26:17).
Judeus e gentios, como entidades distintas, continuam existindo na terra enquanto o chamado do evangelho segue sendo feito hoje, e eles continuarão a existir no futuro como grupos separados. Mas agora, como consequência do evangelho, uma terceira entidade tem sido formada — a Igreja de Deus. Esta coisa nova é bem distinta e completamente separada das duas outras, e não deve ser confundida com elas. Esta distinção foi claramente assinalada pelo apóstolo Paulo, ao dizer: “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos [gentios], nem à igreja de Deus (1 Co 10:32).
Portanto, na atual dispensação da Graça, Deus está chamando crentes judeus e gentios para fora de suas antigas posições e formando assim algo novo — a Igreja. O próprio significado da palavra Igreja (“Eclésia” em grego) é “chamados para fora” e expressa muito bem este chamado especial de Deus por meio do evangelho. Crentes tirados de entre judeus e gentios agora esperam em Cristo (Ef 1:12-13), antes daquele dia futuro, quando uma multidão formada por um remanescente de Israel e pelas nações gentias, será levada maciçamente a Deus.
Em segundo lugar, Efésios 3:6 também indica que crentes de entre os gentios formariam “um mesmo corpo” com crentes tirados de entre os judeus. Portanto, o Mistério revela que judeus e gentios que creem no evangelho são transformados em um organismo vivo (“um mesmo corpo”) que funciona para a satisfação de Deus e no qual a própria vida e características morais do Filho de Deus são manifestadas (Cl 1:26-27). A “parede de separação que estava no meio”, entre judeus e gentios, foi agora derrubada na Igreja. Ambos são abençoados de maneira igual em um lugar inteiramente novo diante de Deus, “em Cristo” (Ef 2:14-16). Este “um só corpo” é o resultado do Espírito de Deus habitando nesses crentes e unindo-os a Cristo, “a Cabeça” nos céus (1 Co 12:13; Ef 1:22-23; Cl 1:18). A descida do Espírito Santo no mundo para formar e habitar no corpo de Cristo é chamada de “batismo do Espírito” (Mt 3:11; Mc 1:8; Lc 3:16; Jo 1:33; At 1:5; 11:16; 1 Co 12:13). Este foi um ato corporativo que aconteceu no dia de Pentecostes para os judeus que creram (At 2), e mais tarde na casa de Cornélio para introduzir os gentios (At 10). Assim o batismo do Espírito foi completado.
Ao contrário do que muitos cristãos evangélicos imaginam os crentes não passam a fazer parte do corpo de Cristo pelo batismo do Espírito — já que a obra do Espírito em batizar foi completada em Atos 2 e Atos 10. Repare com atenção que 1 Coríntios 12:13 diz que “todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos...”, significando que o batismo foi o que formou este “um corpo”. O Espírito de Deus tomou os crentes que estavam naquele cenáculo no dia de Pentecostes e os uniu a Cristo, a Cabeça do corpo nos céus, pelo fato de habitar neles.
J. N. Darby observa que a ação do Espírito ao batizar em 1 Coríntios 12:13 está no tempo aorista do grego, que tem o significado de algo feito de uma vez para sempre. Isto demonstra que desde então o Espírito não está mais executando essa ação, simplesmente porque a obra de formação do corpo já foi feita. Se o Espírito estivesse batizando hoje, isto significaria que Ele estaria formando cada vez mais corpos. Algo assim não poderia acontecer, pois o Espírito nos diz enfaticamente que “há um só corpo” (Ef 4:4). Mas, se assim é, como poderia Paulo falar de si mesmo e dos Coríntios como sendo batizados pelo Espírito? Eles nem sequer estavam salvos quando o Espírito desceu no dia de Pentecostes. A resposta é que Paulo estava falando de todos os membros do corpo em seu sentido representativo. Ele disse: “Todos nós [os cristãos como um todo] fomos batizados em um Espírito, formando um corpo” — referindo-se à ação passada do Espírito no dia de Pentecostes e na casa de Cornélio.
Isto é semelhante à incorporação de uma companhia. Ela é incorporada apenas uma vez e, depois disso, cada vez que a companhia contrata um novo funcionário ela não é incorporada outra vez. O novo funcionário é meramente adicionado a uma companhia já incorporada. Do mesmo modo, quando alguém hoje é salvo, ele é acrescentado, pela presença do Espírito em si (“selados” - Ef 1:13) a um corpo já batizado. Não existe um novo batismo para a companhia cristã cada vez que um novo crente é acrescentado ao corpo de Cristo.
Para ampliar um pouco mais o exemplo, suponha que tenhamos participado de uma das reuniões da diretoria daquela companhia e escutado um dos diretores dizer: “Fomos incorporados há cem anos”. Não teríamos qualquer dificuldade em entender o que ele quis dizer. Ninguém diria: “O que você está dizendo? Nenhum de nós nesta sala tem mais de 60 anos; como você pode dizer que fomos incorporados há cem anos?” Todos nós saberíamos que o diretor estava falando no sentido representativo da companhia. Do mesmo modo, em 1 Coríntios 12:13 Paulo falava daquilo que era verdadeiro a respeito do corpo de Cristo, do qual ele e os Coríntios faziam parte.
O Antigo Testamento revela que, em Seu reino, Cristo irá reinar sobre Israel e sobre as nações gentias na terra (Sl 93:1; Is 32:1), mas as Escrituras nunca dizem que Ele reina sobre a Igreja, que é o Seu corpo. Este corpo celestial unido a Cristo pela habitação do Espírito é uma criação inteiramente nova de Deus (Ef 2:10) e desfruta de um relacionamento especial com Cristo como Sua noiva e esposa (Ap 19:7; 21:9).
Um terceiro ponto que Efésios 3:6 indica é que esta companhia de judeus e gentios escolhidos são “co-herdeiros, de um mesmo corpo e participantes da promessa em Cristo”. Esta promessa não é uma referência às que Deus fez aos patriarcas nos tempos do Antigo Testamento. As promessas a Abraão, Isaque e Jacó foram feitas durante o tempo de vida deles, mas esta promessa foi feita antes da fundação do mundo. Trata-se da promessa da “vida eterna”, a qual o Pai fez ao Filho “antes dos tempos dos séculos” (2 Tm 1:9; Tt 1:2). Ele prometeu a Seu Filho que existiram aqueles redimidos por graça, que seriam introduzidos na vida e comunhão que Eles próprios desfrutavam desde a eternidade. Esta é uma bênção distintamente pertencente ao Novo Testamento (Tt 1:2).
Portanto, aprendemos destas três coisas em Efésios 3:6 que o atual chamado de Deus pelo evangelho de Sua graça é algo totalmente diferente daquilo que foi anunciado nas Escrituras do Antigo Testamento a respeito do propósito de Deus em abençoar Israel e as nações gentias sob Israel.

Quanto mais estudarmos as diferenças entre as distintas maneiras de Deus tratar com Israel e com a Igreja, mais descobriremos que são coisas tão diferentes quanto giz e queijo. A verdade é que não poderiam existir duas coisas mais distintas, e as características que apresentaremos a seguir confirmam isto.



SALMO 44:13-14

SALMO 44:13-14

“Tu nos pões por opróbrio aos nossos vizinhos, por escárnio e zombaria daqueles que estão à roda de nós. Tu nos pões por provérbio entre os gentios, por movimento de cabeça entre os povos.” Salmo 44:13-14

Confissão do remanescente em um dia vindouro que também incluirá um reconhecimento de que eles terão pago o preço por terem pecado, se tornando assim “por escárnio e zombaria” entre as nações e um “opróbrio” e “provérbio”. Esta certamente tem sido a porção dos judeus dispersos; aonde quer que vão eles são desprezados e zombados.


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