Os teólogos do
Pacto ensinam que a promessa que Deus fez a Abraão — de que pessoas de “todas as famílias da terra” seriam
abençoadas como “filhos” de Deus
mediante a fé (Gn 12:1-3; 13:14-16; 15:5-6) — estaria se cumprindo hoje. Por
conseguinte, os cristãos seriam israelitas espirituais. Os versículos que usam
do Novo Testamento para supostamente provar isso são apresentados nos próximos
tópicos.
“A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?” por Bruce Anstey
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DEUTERONOMIO 18:15-19:13
Esta passagem
tem a ver com o homicida e as cidades de refúgio. Todavia, ela não começa
falando deles, mas começa no versículo 15 do capítulo 18 com a promessa de Deus
levantar “um Profeta” no meio da
nação de Israel (Dt 18:15-22). Esse Profeta é o Senhor Jesus Cristo (Lc 7:16;
Jo 1:21; 6:14; At 3:23; 7:37). É dada grande ênfase às “palavras” de Deus como estando “em
Sua boca” (Jo 7:16-17; 8:47; 17:8) e na necessidade que o povo tem de
recebê-las.
LEVITICO 16
A ordem como a
expiação era aplicada à casa de Aarão e à casa de Israel reflete a ordem
dispensacional de Deus. Aarão e sua família formam um bem conhecido tipo de
Cristo e da Igreja. Eles permaneciam diante de Deus como uma família de
sacerdotes durante a economia mosaica. De maneira similar, os cristãos formam
uma companhia de sacerdotes que permanecem diante de Deus hoje no santo dos
santos (1 Pe 2:5; Ap 1:5-6; Hb 10:19-22). A casa de Israel é uma figura da
nação de Israel que será introduzida na bênção na Manifestação de Cristo.
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GENESIS 29-33
Nesta série de
capítulos “Jacó” é um tipo de Cristo.
Ele saiu da casa de seu pai para um país distante — “Padã-Arã” — (Gn 28). Trata-se de uma figura de Cristo vindo de Seu
Pai para este mundo em Seu primeiro Advento. Jacó saiu da casa de seu pai por
dois motivos: primeiro, por causa de pecado (Gn 27), e segundo, para buscar uma
esposa (Gn 28:15) — as mesmas duas razões pelas quais o Senhor veio a este mundo.
A diferença principal é que Jacó saiu da casa de seu pai por causa de seu
próprio pecado, mas Cristo não tinha pecado.
JOAO 1-2:11
Após apresentar o
Senhor Jesus Cristo em Sua deidade (vers. 1-4), o apóstolo João registra que a
condição do povo era tal que não o tinham visto pelo que Ele era. “E a luz resplandece nas trevas, e as trevas
não a compreenderam” (vers. 5). Conhecendo a condição do homem, Deus enviou
um mensageiro (João Batista) para anunciar a vinda da “Luz” ao mundo (vers. 6-9). Isso causou, da parte do povo, uma
aberta rejeição ao Senhor (vers. 10-11), exceto em alguns poucos que eram
nascidos de Deus (vers. 12-13). Aqueles que tinham fé viram “a sua glória” e receberam “da sua plenitude”, experimentando assim
a “graça e verdade” que Ele trouxe ao
homem (vers. 14-18).
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JOÃO 7
JOÃO 7
A maior de todas as festas religiosas celebradas
pelos judeus era a Festa dos Tabernáculos, uma festa que durava oito dias
inteiros. Ela era verdadeiramente o ponto alto de todas as festas que a
precediam no sétimo mês de seu calendário. O Senhor esperou até o “último dia, o grande dia da festa” —
quando os judeus já haviam experimentado sua religião terrestre em sua
totalidade — e então clamou: “Se alguém
tem sede, venha a mim, e beba” (Jo 7:37). Ele sabia que eles não ficariam
satisfeitos com a mera religião — mesmo que fosse uma religião que tivesse sido
dada por Deus — se Ele fosse deixado fora dela. A religião sem Cristo é, no
máximo, uma religião vazia e só deixa a alma vazia e sedenta.
O
clamor do Senhor nessa ocasião indicava que Ele iria substituir as formas
cerimoniais da religião judaica por um relacionamento com Sua própria Pessoa
(Cl 2:17). Ele é suficiente para preencher e satisfazer o coração humano. Este
fato indica que uma mudança dispensacional estava chegando. João acrescenta que
isso ocorreria quando Cristo fosse glorificado e o Espírito Santo fosse dado (Jo
7:39). Estas duas grandes coisas caracterizam o Cristianismo:
- Um Homem na glória
- O Espírito Santo enviado a este mundo.
Estas
são verdades cardeais que distinguem a nova ordem celestial na Dispensação do
Mistério. Cristo glorificado nas alturas é o centro do novo programa de Deus;
não se trata de Cristo na terra como Messias de Israel, como na antiga
dispensação. Cristo seria o Foco do
crente, e o Espírito Santo habitando nos crentes seria o poder pelo qual as novas alegrias do Cristianismo seriam possuídas
e desfrutadas.
Traduzido de “A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?”, por Bruce Anstey publicado por Christian Truth Publishing. Traduzido por Mario Persona.
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Promessas Distintas Dadas à Igreja
Promessas Distintas Dadas à Igreja
Além
das bênçãos e privilégios especiais que a Igreja recebeu os cristãos também
receberam “grandíssimas e preciosas
promessas” (2 Pe 1:4). No Antigo Testamento Abraão e outros receberam
grandes promessas, mas o apóstolo Pedro nos diz que “grandíssimas” promessas foram reservadas para aqueles na Igreja. Mais
uma vez isto aponta para o fato de a Igreja ter sido escolhida dentre todos os
outros grupos de santos e favorecida de maneira especial. A seguir
apresentaremos algumas destas promessas.
Segurança eterna (Jo 10:27-28). Temos a promessa de
estarmos eternamente seguros. Os santos do Antigo Testamento não possuíam esta
certeza (Sl 51:11, etc.).
Intercessão de Cristo como
Sumo Sacerdote e Advogado
(Rm 8:34). Cristo prometeu nos manter na senda da fé de uma maneira tal que os
santos do Antigo Testamento nunca conheceram. Temos a Ele intercedendo por nós
nas alturas como nosso Sumo Sacerdote em nossa peregrinação espiritual da terra
ao céu. Ele é um Homem na glória que caminhou neste mundo e foi tentado
(testado) de todas as maneiras que um homem justo poderia ser testado. Por isso
Ele conhece, sente e se compadece de nós em cada tribulação que experimentamos
em nosso caminho (Hb 4:14-15). Se necessário, Ele também atua como nosso
Advogado diante do Pai no caso de falharmos em nosso andar, restaurando-nos
assim à comunhão com o Pai (2 Jo 2:1-2). O Senhor não poderia ter sido um Sumo
Sacerdote para os santos do Antigo Testamento porque para ser sacerdote alguém
precisaria ser um homem e ter experimentado a vida na terra como homem (Hb
5:1-2). Naquele tempo Cristo ainda não havia se tornado um Homem.
O Arrebatamento (Jo 14:2-3; 1 Ts 4:15-18; 1 Co
15:51-57). Temos a promessa de sermos glorificados como Cristo e levados para o
lar no céu no Arrebatamento, sem experimentarmos a morte! É esta a “bem-aventurada esperança” do cristão
(Tt 2:13). Os santos do Antigo Testamento não tinham esta promessa dada a eles;
nada sabiam sobre este aspecto da vinda do Senhor, e tampouco tinham a
esperança da glorificação.
Em
suma, o Senhor prometeu nos manter eternamente seguros, nos mantêm em comunhão
Consigo e com o Pai ao longo do caminho da fé, e nos levará para o lar celestial.
Estas são promessas maiores que
qualquer coisa que o Senhor tenha prometido aos santos do Antigo Testamento.
A
grande conclusão que tiramos de todas estas bênçãos, privilégios e promessas é
que a Igreja (os cristãos) foram agraciados com um lugar de especial favor
diante de Deus. O apóstolo Paulo chama estas coisas de “riquezas incompreensíveis de Cristo” (Ef 3:8).
Traduzido de “A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?”, por Bruce Anstey publicado por Christian Truth Publishing. Traduzido por Mario Persona.
Privilégios Distintos da Igreja
Privilégios Distintos da Igreja
Com
base nestas grandes bênçãos, a Igreja recebeu privilégios muito maiores que os recebidos
pelos santos de outras épocas. Damos a seguir apenas três exemplos destes
privilégios.
Acesso ao “Santuário” (Hb 4:14-16; 10:19-22). Os cristãos, por
formarem um grupo de sacerdotes
celestiais (1 Pe 2:5; Ap 1:6), têm acesso à própria presença de Deus — no mais
santo lugar, no santuário celestial (Hb 8:1-5; 9:11). Este é um privilégio que
nenhum dos filhos de Aarão teve no Judaísmo. O sumo sacerdote do sistema
judaico podia entrar no santo lugar do santuário terrestre “uma vez no ano, não sem sangue”, o qual ele espargia sobre o propiciatório
(Hb 9:7). Isto demonstrava que “o caminho
do santuário”, tal qual o temos no Cristianismo, ainda “não estava descoberto enquanto se conservava em pé o primeiro
tabernáculo” naquela época (Hb 9:8). O sumo sacerdote só entrava ali uma
vez por ano, mas nós entramos no lugar celestial com nossas orações e louvor em
qualquer tempo. Além disso, o sumo sacerdote entrava no santo dos santos em
tremor e temor, mas nós podemos entrar com santa “ousadia” e “em inteira
certeza de fé” (Hb 10:19, 22). Todas as outras pessoas naquele sistema
judaico adoravam a Deus de longe, fora do véu, por meio de um sistema de
ordenanças envolto em muito ritual. Os cristãos, como um todo, podem se dirigir
a Deus com intimidade e entendimento — o que é indicado pelo clamor, “Aba, Pai” (Rm 8:15; Gl 4:6). “Aba” indica intimidade e “Pai” entendimento.
Discernimento dos
propósitos de Deus (Ef
1:8-10). Por serem filhos de Deus, os
cristãos foram informados dos segredos do coração de Deus que ficaram
escondidos dos santos das épocas passadas (Rm 16:25; Ef 3:2-5; Cl 1:25-27). A
intenção de Deus foi que esta privilegiada companhia de filhos (a Igreja)
ficasse ciente do Seu propósito eterno. Portanto, foi do agrado do Pai
desvendar a nós a verdade do “grande
mistério” (Ef 1:4-8; 5:32) que Ele “derramou
sobre nós com toda a sabedoria e entendimento” (Ef 1:8 NVI).
Consequentemente nos foi dado saber o que Ele está fazendo no mundo agora,
tendo em vista o mundo vindouro — o Milênio. Ele deu à Igreja um discernimento
especial quanto ao Seu plano de exibir publicamente a glória do Seu Filho
naquele futuro dia milenial. Assim a Igreja se tornou depositária do conselho
de Deus a respeito de Seu propósito para o futuro.
Este
é um tremendo privilégio que os santos do Antigo Testamento não tinham, pois
até agora (o Dia da Graça) ele era um “mistério
[segredo] que desde tempos eternos esteve oculto” (Rm 16:25). É triste precisarmos
admitir que, devido ao estado de ruína no testemunho cristão, e mesmo tendo
estas coisas sido reveladas nas Escrituras à Igreja, muitos cristãos não
conhecem estas revelações tão maravilhosas!
Reinar publicamente com
Cristo (Lc 22:29; 2 Tm
2:12; Ap 22:5 — “e reinarão para todo o
sempre”). Como reis (Ap 1:6), os
cristãos têm a perspectiva de reinarem com Cristo no reino milenial. Os santos
do Antigo Testamento serão glorificados juntamente com todos os santos
celestiais naquele dia (Hb 11:40). Eles estão designados para serem amigos do
Noivo (Jo 3:29), mas não tomarão parte na administração do mundo vindouro; eles
não reinarão com Cristo. Este é um privilégio muito especial dado apenas à
Igreja (Ap 21:9-22:5).
Traduzido de “A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?”, por Bruce Anstey publicado por Christian Truth Publishing. Traduzido por Mario Persona.
As bênçãos características da Igreja
As bênçãos características da Igreja
Existem
bênçãos especialmente dadas a essa companhia “chamada para fora” (a Igreja), as quais são exclusivas desse grupo
de crentes. Nenhum crente nos tempos do Antigo Testamento, ou no futuro período
do reino milenial, jamais teve ou terá estas “bênçãos espirituais” (Ef 1:3). Portanto, aqueles que fazem parte
da Igreja (os cristãos) foram selecionados dentre todos os filhos de Deus como possuindo
um lugar privilegiado diante dEle. Eles foram escolhidos por Deus para ocuparem
o lugar mais próximo possível de relacionamento com Cristo que Deus poderia
proporcionar (como corpo e esposa de Cristo). Dentre todas as pessoas
abençoadas da imensa família de Deus, apenas os cristãos são Seus “primogênitos” (Hb 12:23). O termo “primogênito” refere-se àquilo que é
classificado como primeiro e tem preeminência sobre todos os outros (Sl
89:20-27; Jr 31:9; Cl 1:15, 18, etc.).
Existem
bênçãos que pertencem a toda a família de Deus; que são de propriedade comum a todo o Seu povo, seja ele formado pela
Igreja ou pelos santos do Antigo Testamento, do milênio etc. Todos estes possuem
o novo nascimento, um lugar na família de Deus, comunhão com Deus de acordo com
a luz que lhes foi dada, etc. Os cristãos também possuem estas bênçãos, mas
possuem ainda muito mais. As bênçãos dos cristãos são de um caráter muito mais
elevado e estão fundamentadas na redenção já consumada e na aceitação que o
Senhor desfruta à destra de Deus. A posição que o Senhor Jesus ocupa à destra
de Deus é indicada nas epístolas de Paulo pela expressão “Cristo Jesus”. Quando as Escrituras dizem “Jesus Cristo” estão se referindo ao Senhor descendo dos céus para
fazer a vontade de Deus em cumprir a redenção por meio da morte; quando as
Escrituras dizem “Cristo Jesus” elas
estão se referindo a Ele ressuscitado e elevado às alturas à destra de Deus.
O
que é maravilhoso na graça de Deus é que os cristãos são mencionados como
estando “em Cristo Jesus” — não “em Jesus Cristo”. Isto significa que
nossas conexões com Ele não são como as que Ele tinha neste mundo com Israel,
mas do modo com Ele está agora, como a Cabeça ressuscitada e ascendida da nova raça
na criação (2 Co 5:16-17). Estar “em
Cristo” significa que ocupamos o mesmo lugar de aceitação que pertence a
Cristo diante de Deus! A mesma medida de Sua aceitação à destra de Deus é a que
nos pertence — pois permanecemos no lugar que pertence a Ele diante de Deus (1
Jo 4:17). Olhamos para o alto e vemos um Homem na glória com todo o favor de
Deus colocado sobre Ele, e sabemos que esse é também o nosso lugar. Que posição
maravilhosa esta em que a graça soberana nos colocou!
Nós
não apenas estamos “em Cristo”, como
também todas as bênçãos singulares que pertencem ao cristão são ditas como
sendo “em Cristo”. Isto significa que
nossas bênçãos são encontradas no Homem que está assentado à destra de Deus.
Algumas destas bênçãos são apresentadas a seguir.
Redenção em Cristo
Jesus (Rm 3:24). Significa
que compreendemos que fomos resgatados
e libertados da condenação que nossos
pecados demandavam, do poder do pecado, de Satanás e do mundo. Esta redenção
está fundamentada na obra consumada de Cristo e na certeza de estarmos em uma
posição diante de Deus onde tais demandas já não têm poder sobre nós.
Israel,
no Antigo Testamento, não possuía tal bênção. Eles sabiam da redenção apenas em
um sentido físico, havendo sido redimidos do jugo da escravidão no Egito (Êx
6:6). Nossa redenção é algo espiritual em conexão com a posição que Cristo
ocupa nas alturas.
Perdão de pecados em
Cristo (Rm 4:7; Ef
4:32). Isto se refere ao fato de o crente conhecer de forma consciente que foi
perdoado de seus pecados por compreender o que Deus fez por meio da obra
consumada de Cristo na cruz. O resultado é que sua consciência foi purificada
de sua culpa e esta já não o acusa de seus pecados — ao menos naquilo que diz
respeito ao seu destino eterno (Hb 9:14). Com base naquilo que Cristo consumou
ao fazer a expiação, os crentes compreendem que Deus jamais irá trazer à tona
seus pecados para juízo, pois se o fizesse seria injusto, uma vez que Cristo já
pagou a dívida total por eles.
Os
israelitas nos tempos do Antigo Testamento não conheciam este aspecto do
perdão. A eles era oferecido o perdão governamental, com a condição de
apresentarem a Deus oferendas pelo pecado (Lv 4). O perdão governamental ou
administrativo é um perdão que é concedido por Deus em função do Seu modo
administrativo de agir para com o Seu povo (caso eles tivessem cometido algum
pecado), e é baseado no arrependimento que a pessoa demonstra em relação àquele
pecado. Trata-se de um perdão conectado apenas à vida aqui na terra e nada tem
a ver com o destino eterno daquela pessoa. Os santos do Antigo Testamento não
conheciam este aspecto cristão do perdão de pecados (perdão eterno) que o
Evangelho da Graça de Deus anuncia. Ele foi primeiramente anunciado pelo Senhor
após a redenção ter sido consumada (Lc 24:47). Consequentemente, aqueles que
viviam nos tempos do Antigo Testamento não tinham a certeza de seus pecados
terem sido perdoados e nem a consciência purificada do modo como os cristãos
hoje têm (Sl 25:7, 18).
Justificação em Cristo
Jesus (Rm 4:25-5:1; Gl
2:16-17). A justificação significa que fomos livrados de todas as acusações que
pesavam contra nós por termos sido introduzidos em uma nova posição diante de
Deus em Cristo. Os cristãos são “justificados
em Cristo” (Gl 2:17); o resultado disto é que Deus já não nos enxerga como
pecadores. Para que os cristãos possuíssem esta bênção o Senhor precisou morrer
e ressuscitar de entre os mortos. O apóstolo Paulo disse que o Senhor “por nossos pecados foi entregue, e
ressuscitou para nossa justificação” (Rm 4:25). Ele também afirmou que o
Senhor precisava ser recebido “à direita
de Deus” para nos assegurar esta nova posição na presença de Deus — que é
aonde a justificação leva o crente (Rm 8:33-34).
Os
santos do Antigo Testamento não poderiam ter tido esta bênção, pois naquele
tempo Cristo ainda não havia ressuscitado e nem tinha ascendido à Sua posição
diante de Deus nas alturas. Os santos do Antigo Testamento eram considerados
justos com base em sua fé — como foi o caso de Abraão (Rm 4:1-3) — mas eles não
eram justificados no sentido cristão da justificação.
O dom da habitação do
Espírito em Cristo
— Isto tem a ver com o crente receber o Espírito Santo. Também se refere à
unção, ao selo e penhor do Espírito. (Rm 5:5; 2 Co 1:21-22; Ef 1:13; 1 Ts 4:8;
1 Jo 3:24). Como consequência os cristãos possuem o Espírito de Deus “neles” e também “com” eles, e isto é algo que durará “para sempre” (Jo 14:16-17).
Esta
é outra bênção que os santos de outras épocas não possuíam, pois Cristo
precisava ser primeiro glorificado para que o Espírito pudesse ser enviado (Jo
7:39). O Espírito de Deus descia sobre
os crentes no período do Antigo Testamento a fim de capacitá-los para uma
determinada obra e depois partir (2 Pe 1:21; Nm 11:17; Jz 14:6 etc.). Mas o
Espírito de Deus nunca veio habitar nos
crentes naquela época do modo como Ele habita hoje na Igreja.
Reconciliação em Cristo
Jesus (Rm 5:10; Ef 2:13;
Cl 1:21). A reconciliação tem a ver com o fato de Deus trazer de volta para Si
as Suas novas criaturas em uma nova condição de paz e harmonia (1 Pe 3:18).
Isto foi feito para que a comunhão entre Deus e os homens crentes pudesse ser
retomada com base na redenção. Como consequência, a comunhão agora entre Deus e
os homens redimidos ocorre em um plano muito mais elevado que aquela que Deus
tinha com os crentes nos tempos do Antigo Testamento. Agora Deus pode se
deleitar na comunhão com Suas criaturas de uma maneira como Ele nunca antes
conseguiu desfrutar (Cl 1:21-22), e também de modo a fazer com que os crentes
se sintam felizes e confortáveis em Sua presença a fim de poderem se gloriar em Deus (Rm 5:10-11).
Os
santos do Antigo Testamento não possuíam esta bênção. Eles tinham comunhão com
Deus, mas não podiam se gloriar em Deus
desta maneira, pois não conheciam o perdão e a justificação que fazem parte da
grande obra de reconciliação.
Santificados em Cristo
Jesus (Rm 6:19; 1 Co
1:2). Santificação significa separação. No sentido cristão da palavra, ela tem
a ver com o fato de o crente ter sido separado pelo novo nascimento (1 Co 6:11;
2 Ts 2:13; 1 Pe 1:2) e pela obra consumada de Cristo (At 26:18; Rm 1:1; 1 Co
1:2, 30; Hb 10:10; 13:12), e o crente estar assim em um lugar santo com Deus. A
santificação tem a ver com uma obra vital e interior na alma, pela qual os
crentes são feitos santos por terem uma nova vida comunicada a eles. Eles estão
assim separados da massa de homens incrédulos que caminha para a destruição eterna
(Sl 90:3).
Israel,
como nação, era santificada e, portanto, separada das outras nações da terra
(Êx 31:13; 33:16; Dt 32:8; 1 Rs 8:53), mas sua santificação era puramente
exterior. Não era o resultado de suas almas terem sido salvas (1 Pe 1:9). Eles
deviam se santificar na prática (Êx 19:14 etc.), mas isto tampouco fazia com
que tivessem sido separados para a bênção eterna. A santificação “em Cristo” é algo completamente
diferente e só pode ser conhecida no Cristianismo.
Vida eterna em Cristo
Jesus (Rm 6:23; 2 Tm
1:1). A vida eterna tem a ver com o fato de o crente possuir vida divina em sua
alma, associada a uma compreensão do relacionamento especial que desfruta com o
Pai e o Filho através do Espírito Santo (Jo 17:3). Para que o crente tivesse
este aspecto da vida divina era necessário que o Filho de Deus tivesse vindo a
este mundo para revelar o Pai (Jo 1:18; 14:9), que a redenção tivesse sido
consumada (Jo 3:14-15) e que o dom do Espírito de Deus tivesse sido dado (Jo
4:14). A “vida eterna” não indica meramente
uma vida divina de duração ilimitada,
mas se refere ao caráter dessa vida.
Trata-se da própria vida que o Pai e o Filho, juntos, desfrutaram em sua comunhão
desde a eternidade passada. É por possuir esta vida que o cristão pode
desfrutar de comunhão com o Pai e com o Filho (1 Jo 1:3).
Os
santos do Antigo Testamento tinham vida divina, uma vez que eram nascidos de
novo. Portanto eles faziam parte da família de Deus. Todavia, eles não tinham
este caráter da vida, pois Cristo ainda não tinha vindo revelar o Pai, e nem a
redenção tinha sido consumada ou tampouco o Espírito sido dado. Os santos do
Antigo Testamento tinham a esperança de viver para sempre na terra sob o reinado
de seu Messias. Daniel chama a isto de “vida
eterna” (Sl 133:3; Dn 12:2), mas não se trata da vida eterna como é
apresentada no Novo Testamento. Portanto, eles desfrutavam de comunhão com
Deus, mas não a comunhão existente entre o Pai e o Filho.
Libertação em Cristo
Jesus (Rm 8:1-2). Por
meio “da lei do Espírito de vida, em
Cristo Jesus” o cristão dispõe de uma libertação real do poder da natureza
pecaminosa que existe nele. Isto se refere à presença do Espírito de Deus que
habita em si e trabalha no crente para anular as inclinações da carne,
capacitando-o a viver uma vida santa, a qual é livre da interferência da carne.
Na prática, a sua vitória sobre a carne depende de ele viver “para as coisas do Espírito”, que são os
interesses de Deus e de Cristo (Rm 8:5-6, 13).
Os
santos do Antigo Testamento também não contavam com esta bênção. Eles
permaneciam mais ou menos no estado do homem descrito em Romanos 7:7-25. Eles
eram nascidos de Deus, porém não tinham o poder do Espírito trabalhando neles
para refrear a carne. Consequentemente eles viviam no temor de que a carne
pudesse tomar o controle de suas vidas (Sl 19:12-13 etc.).
Filiação em Cristo Jesus (Rm 8:14-15; Gl 3:26; 4:5-7). A palavra “filiação” no grego tem o significado de
“lugar de filho” (Gl 4:5; Ef 1:5).
Como filhos, os cristãos foram colocados no mesmo lugar em que o próprio Filho
permanece diante de Deus. Ocupamos um lugar no qual Deus nos fez “agradáveis a Si no Amado” (Ef 1:6).
Ocupamos este lugar por causa de nossa conexão com Cristo — o “Filho do Seu amor” (Cl 1:13). Por isso
o termo vai muito além de meramente “aceitos”
(como está Ef 1:6 na versão inglesa King James) e denota o desfrutar de uma afeição
especial vinda do Pai. Por estar no lugar em que Cristo está o cristão permanece
diante de Deus em uma posição que está muito acima daquela ocupada por anjos,
acima até da posição ocupada pelo arcanjo Miguel! A grande bênção da “filiação” é que desfrutamos:
·
Do lugar de favor do Filho (Ef 1:6).
·
Da vida — a vida eterna do Filho (Jo 17:2).
·
Da liberdade que o Filho tem diante do Pai
(Rm 8:14-16).
·
Da herança do Filho (Rm 8:17).
·
Da glória do Filho (Rm 8:18; Jo 17:22).
Um
lugar assim de privilégio na família de Deus não foi dado aos santos do Antigo
Testamento. Em Gálatas 4:1-7 o apóstolo Paulo mostra a diferença. Ele dá o
exemplo de uma família israelita, assinalando a diferença entre um “menino” e um “filho” na família. Ele indica que aqueles que foram convertidos do
Judaísmo por crerem no evangelho são como “meninos”
que atingiram certa idade. Eles deixaram a posição de crianças e agora estão na
posição de “filhos” na família de
Deus. A cerimônia judaica do Bar mitzvah
ilustra isto. Em uma família de judeus, quando um menino chega aos treze anos
de idade ele é formalmente elevado da condição de criança para a de filho
na família, desfrutando então de maior liberdade e privilégios no lar. Essa
mudança de posição ilustra o lugar que ocupa o cristão na família de Deus,
comparada àquela ocupada pelos judeus nos tempos do Antigo Testamento. Observe
a mudança de “nós” para “vós” nos pronomes do versículo 5 para o
6 de Gálatas 4: “Para remir os que
estavam debaixo da lei, a fim de [nós]
recebermos a adoção de filhos. E, porque [vós] sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai”.
No primeiro caso, “nós” se refere aos
crentes judeus, e no segundo, “vós”
aos crentes gentios.
Herdeiros da herança em
Cristo (Rm 8:17; Ef
1:10-11; Gl 3:29). Ao cristão foi dada uma herança que é muito maior que aquela
prometida a Israel. A herança do cristão inclui todas as coisas criadas nos
céus e na terra. Essa herança é compartilhada igualmente com Cristo, pois Sua
herança também nos pertence. A herança em si não é uma bênção espiritual, mas o
direito de herança para reinar com Cristo sobre tudo; uma bênção ímpar que
pertence apenas aos cristãos. Israel receberá sua herança literal quando tomar
posse da terra que foi prometida a Abraão, ou seja, aproximadamente oitocentos
mil quilômetros quadrados. A herança do cristão é todo o universo!
Nova Criação em Cristo
Jesus (Rm 8:29; Gl 6:15;
2 Co 5:17). Quando Cristo ressuscitou de entre os mortos Ele foi feito Cabeça
de uma nova raça humana (Cl 1:18), à qual pertencemos por sermos do mesmo tipo
e substância do próprio Cristo (Hb 2:11-13; Gl 3:29 — “de Cristo”). Sendo assim, somos perfeitamente adequados para
sermos Suas companhias eternas nos céus. A formação dessa raça é um trabalho em
andamento. Temos a nova vida em nossa alma agora mesmo, e já ocupamos uma nova
posição diante de Deus sob Cristo como Cabeça. Mas ainda existe um trabalho de
conformidade moral com Cristo que está sendo feito em nós pelo Espírito e ainda
não está terminado (2 Co 3:18). Além disso, os nossos corpos aguardam para
serem transformados. Na vinda do Senhor (no Arrebatamento) a mudança de Adão
para Cristo estará completa. Então “traremos
também a imagem do celestial” (1 Co 15:49) e seremos glorificados fisicamente à semelhança de Cristo (Fp
3:21) e moralmente também (1 Jo 3:2).
Os
santos do Antigo Testamento, na posição que ocupavam, não faziam parte desta
raça da nova criação, pois não poderia ter existido uma nova raça humana até
que Aquele que é a Cabeça dessa nova raça tivesse sido ressuscitado de entre os
mortos. Os santos do Antigo Testamento possuíam nova vida e um dia farão parte
dessa nova raça no Estado Eterno (apesar de nunca se tornarem parte da noiva de
Cristo — Ap 21:2), enquanto os cristãos já fazem parte dessa nova raça agora
mesmo como “primícias do Espírito” (2
Co 5:17; Rm 8:23).
Membros do “Um Só Corpo” em Cristo (Rm 12:5; 1 Co 12:12-13). Os cristãos
são membros do corpo de Cristo (Ef 5:23-32). Alguns chamam a isto de “união”. Pelo fato de serem habitados pelo
Espírito de Deus os cristãos na terra estão unidos a Cristo. As Escrituras
dizem: “Porque, assim como o corpo é um,
e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim
é [o] Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um
corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido
de um Espírito” (1 Co 12:12-13). Como regra geral, o termo “o Cristo” nas epístolas de Paulo
refere-se à união mística dos membros na terra ligados à Cabeça no céu pela
habitação do Espírito.
Não
poderia ter existido uma união com Cristo até que Ele ressuscitasse de entre os
mortos e ocupasse Seu lugar nas alturas como Cabeça do corpo. Os israelitas
eram membros da família escolhida de Abraão, e abençoados em conexão com este
relacionamento, mas eles não possuíam uma união no corpo de Cristo por terem
vivido antes de Sua ressurreição de entre os mortos e antes que o Espírito
tivesse sido enviado.
Traduzido de “A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?”, por Bruce Anstey publicado por Christian Truth Publishing. Traduzido por Mario Persona.
Um chamado especial de crentes para formarem a Igreja
Um chamado especial de crentes para formarem a Igreja
Primeiro
ele diz: “que os gentios são co-herdeiros”
nessa coisa nova que Deus está edificando — a Igreja. Outra tradução mais
correta diz que “os pagãos são chamados a
participar da mesma herança”, indicando existir um chamado especial para
tirar, de entre as nações, os crentes que Deus predestinou para compartilharem
de um lugar juntamente com Cristo neste algo novo — a Igreja. Este chamado de
Deus não está trazendo das nações
gentias multidões para Jeová, como foi anunciado no Antigo Testamento para
virem a ter um lugar no reinado do Messias sob Israel (Zc 2:11; 8:22-23; Is
11:10; 14:1; 56:3-7; 60:1-5; Sl 22:27; 47:9; 72:10-11). O chamado ainda futuro
irá resultar numa conversão exterior das nações gentias, o que acontecerá
quando forem a Cristo em Sua glória no reino. Elas farão aliança com o Deus de
Israel por medo de serem julgadas; não será necessariamente uma obra de fé em
seus corações (Sl 18:44-47; 66:1-3; 68:28-31; Is 60:14), apesar de que muitos dos
gentios entre eles irão sinceramente crer (Ap 7:9-10).
Essa
convocação é vista também em Atos 15:3, onde fala da “conversão dos gentios” ou, literalmente, “conversão daqueles dentre as
nações”. Como já foi mencionado, não se trata da conversão das nações
gentias como um todo — o que ocorrerá no futuro — mas de um chamado especial
feito pelo evangelho por meio do qual um seleto número de pessoas de entre os
gentios é chamado para fora. Isto é mais uma vez declarado em Atos 15:14, que menciona
“como primeiramente Deus visitou os
gentios, para tomar deles [dentre eles] um povo para o Seu nome”.
Esta
obra especial de Deus por meio do evangelho também envolve o chamado de alguns
judeus para fora da nação de Israel para fazer parte deste algo novo — a Igreja.
Deus está tirando determinados judeus para
fora de seu lugar de origem na nação de Israel e os colocando na Igreja.
Paulo era um exemplo disto. O Senhor lhe disse: “Livrando-te deste povo [Israel]...”, ou, literalmente, “livrando-te de entre o povo [Israel]” (At 26:17).
Judeus
e gentios, como entidades distintas, continuam existindo na terra enquanto o
chamado do evangelho segue sendo feito hoje, e eles continuarão a existir no
futuro como grupos separados. Mas agora, como consequência do evangelho, uma
terceira entidade tem sido formada — a Igreja de Deus. Esta coisa nova é bem
distinta e completamente separada das duas outras, e não deve ser confundida
com elas. Esta distinção foi claramente assinalada pelo apóstolo Paulo, ao
dizer: “Portai-vos de modo que não deis
escândalo nem aos judeus, nem aos gregos [gentios], nem à igreja de Deus” (1 Co 10:32).
Portanto,
na atual dispensação da Graça, Deus está chamando crentes judeus e gentios para
fora de suas antigas posições e
formando assim algo novo — a Igreja. O próprio significado da palavra Igreja (“Eclésia”
em grego) é “chamados para fora” e
expressa muito bem este chamado especial de Deus por meio do evangelho. Crentes
tirados de entre judeus e gentios agora esperam
em Cristo (Ef 1:12-13), antes daquele dia futuro, quando uma multidão formada
por um remanescente de Israel e pelas nações gentias, será levada maciçamente a
Deus.
Em
segundo lugar, Efésios 3:6 também indica que crentes de entre os gentios
formariam “um mesmo corpo” com
crentes tirados de entre os judeus. Portanto, o Mistério revela que judeus e gentios que creem no evangelho são
transformados em um organismo vivo (“um
mesmo corpo”) que funciona para a satisfação de Deus e no qual a própria
vida e características morais do Filho de Deus são manifestadas (Cl 1:26-27). A
“parede de separação que estava no meio”,
entre judeus e gentios, foi agora derrubada na Igreja. Ambos são abençoados de
maneira igual em um lugar inteiramente novo diante de Deus, “em Cristo” (Ef 2:14-16). Este “um só corpo” é o resultado do Espírito
de Deus habitando nesses crentes e unindo-os a Cristo, “a Cabeça” nos céus (1 Co 12:13; Ef 1:22-23; Cl 1:18). A descida do
Espírito Santo no mundo para formar e habitar no corpo de Cristo é chamada de “batismo do Espírito” (Mt 3:11; Mc 1:8;
Lc 3:16; Jo 1:33; At 1:5; 11:16; 1 Co 12:13). Este foi um ato corporativo que
aconteceu no dia de Pentecostes para os judeus que creram (At 2), e mais tarde
na casa de Cornélio para introduzir os gentios (At 10). Assim o batismo do
Espírito foi completado.
Ao
contrário do que muitos cristãos evangélicos imaginam os crentes não passam a fazer parte do corpo de Cristo
pelo batismo do Espírito — já que a obra do Espírito em batizar foi completada
em Atos 2 e Atos 10. Repare com atenção que 1 Coríntios 12:13 diz que “todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer
gregos...”, significando que o batismo foi o que formou este “um corpo”. O Espírito de Deus tomou os
crentes que estavam naquele cenáculo no dia de Pentecostes e os uniu a Cristo,
a Cabeça do corpo nos céus, pelo fato de habitar neles.
J.
N. Darby observa que a ação do Espírito ao batizar em 1 Coríntios 12:13 está no
tempo aorista do grego, que tem o
significado de algo feito de uma vez para sempre. Isto demonstra que desde
então o Espírito não está mais executando essa ação, simplesmente porque a obra
de formação do corpo já foi feita. Se o Espírito estivesse batizando hoje, isto
significaria que Ele estaria formando cada vez mais corpos. Algo assim não
poderia acontecer, pois o Espírito nos diz enfaticamente que “há um só corpo” (Ef 4:4). Mas, se assim
é, como poderia Paulo falar de si mesmo e dos Coríntios como sendo batizados
pelo Espírito? Eles nem sequer estavam salvos quando o Espírito desceu no dia
de Pentecostes. A resposta é que Paulo estava falando de todos os membros do
corpo em seu sentido representativo.
Ele disse: “Todos nós [os cristãos
como um todo] fomos batizados em um
Espírito, formando um corpo” — referindo-se à ação passada do Espírito no
dia de Pentecostes e na casa de Cornélio.
Isto
é semelhante à incorporação de uma companhia. Ela é incorporada apenas uma vez
e, depois disso, cada vez que a companhia contrata um novo funcionário ela não
é incorporada outra vez. O novo funcionário é meramente adicionado a uma
companhia já incorporada. Do mesmo modo, quando alguém hoje é salvo, ele é
acrescentado, pela presença do Espírito em si (“selados” - Ef 1:13) a um corpo já batizado. Não existe um novo
batismo para a companhia cristã cada vez que um novo crente é acrescentado ao
corpo de Cristo.
Para
ampliar um pouco mais o exemplo, suponha que tenhamos participado de uma das
reuniões da diretoria daquela companhia e escutado um dos diretores dizer: “Fomos incorporados há cem anos”. Não
teríamos qualquer dificuldade em entender o que ele quis dizer. Ninguém diria: “O que você está dizendo? Nenhum de nós
nesta sala tem mais de 60 anos; como você pode dizer que fomos incorporados há
cem anos?” Todos nós saberíamos que o diretor estava falando no sentido representativo da companhia. Do mesmo
modo, em 1 Coríntios 12:13 Paulo falava daquilo que era verdadeiro a respeito
do corpo de Cristo, do qual ele e os Coríntios faziam parte.
O
Antigo Testamento revela que, em Seu reino, Cristo irá reinar sobre Israel e
sobre as nações gentias na terra (Sl 93:1; Is 32:1), mas as Escrituras nunca
dizem que Ele reina sobre a Igreja, que é o Seu corpo. Este corpo celestial
unido a Cristo pela habitação do Espírito é uma criação inteiramente nova de
Deus (Ef 2:10) e desfruta de um relacionamento especial com Cristo como Sua
noiva e esposa (Ap 19:7; 21:9).
Um
terceiro ponto que Efésios 3:6 indica é que esta companhia de judeus e gentios
escolhidos são “co-herdeiros, de um mesmo
corpo e participantes da promessa em Cristo”. Esta promessa não é uma
referência às que Deus fez aos patriarcas nos tempos do Antigo Testamento. As
promessas a Abraão, Isaque e Jacó foram feitas durante o tempo de vida deles,
mas esta promessa foi feita antes da fundação do mundo. Trata-se da promessa da
“vida eterna”, a qual o Pai fez ao
Filho “antes dos tempos dos séculos”
(2 Tm 1:9; Tt 1:2). Ele prometeu a Seu Filho que existiram aqueles redimidos
por graça, que seriam introduzidos na vida e comunhão que Eles próprios
desfrutavam desde a eternidade. Esta é uma bênção distintamente pertencente ao
Novo Testamento (Tt 1:2).
Portanto,
aprendemos destas três coisas em
Efésios 3:6 que o atual chamado de Deus pelo evangelho de Sua graça é algo
totalmente diferente daquilo que foi anunciado nas Escrituras do Antigo
Testamento a respeito do propósito de Deus em abençoar Israel e as nações
gentias sob Israel.
Quanto
mais estudarmos as diferenças entre as distintas maneiras de Deus tratar com
Israel e com a Igreja, mais descobriremos que são coisas tão diferentes quanto
giz e queijo. A verdade é que não poderiam existir duas coisas mais distintas,
e as características que apresentaremos a seguir confirmam isto.
Traduzido de “A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?”, por Bruce Anstey publicado por Christian Truth Publishing. Traduzido por Mario Persona.
SALMO 44:13-14
SALMO 44:13-14
“Tu nos pões por opróbrio
aos nossos vizinhos, por escárnio e zombaria daqueles que estão à roda de nós.
Tu nos pões por provérbio entre os gentios, por movimento de cabeça entre os
povos.” Salmo 44:13-14
Confissão
do remanescente em um dia vindouro que também incluirá um reconhecimento de que
eles terão pago o preço por terem pecado, se tornando assim “por escárnio e zombaria” entre as
nações e um “opróbrio” e “provérbio”. Esta certamente tem sido a porção
dos judeus dispersos; aonde quer que vão eles são desprezados e zombados.
Traduzido de “A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?”, por Bruce Anstey publicado por Christian Truth Publishing. Traduzido por Mario Persona.
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