“A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?” por Bruce Anstey
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EFESIOS 3:4-5

EFÉSIOS 3:4-5“...o mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas”.

Os teólogos do Pacto colocam seu foco nas palavras “como agora tem sido” desta passagem, e insistem que a verdade do Mistério era conhecida nas outras épocas, mas não “como agora tem sido”. Eles acham que aquelas coisas teriam sido reveladas nos tempos do Antigo Testamento, mas simplesmente não teriam sido entendidas por aqueles que viveram então (1 Pe 1:9-12).

O Evangelho de João assinala a transição da Antiga para a Nova Dispensação

O Evangelho de João assinala a transição da Antiga para a Nova Dispensação

Enquanto as epístolas apresentam o caráter singular da nova iniciativa de Deus em formar a Igreja, com suas bênçãos, privilégios e promessas especiais, o Evangelho de João e o livro de Atos enfatizam a transição da velha para a nova dispensação. O Evangelho de João nos mostra o embrião do Cristianismo, antes que o próprio Cristianismo e a Dispensação do Mistério começassem de fato. Em quase todos os capítulos deste evangelho há elementos do Cristianismo que são, ora ensinados, ora ilustrados para indicar a mudança dispensacional que estava para acontecer.
João é o único escritor do Novo Testamento que escreveu depois de a nação de Israel ter sido literalmente colocada de lado, o que aconteceu no ano 70 D.C. Ele escreveu por volta do ano 90 D.C. quando o Cristianismo já estava completamente estabelecido e a nação judaica tinha sido desfeita. Por ocasião de sua redação já não existia mais Judaísmo — a cidade de Jerusalém e o santuário haviam sido destruídos (Dn 9:26; Mt 22:7). O Espírito de Deus guiou João para apresentar a vida do Senhor e o Seu ministério da perspectiva singular de quem olhava para trás através das lentes do Cristianismo. Ao contrário dos outros evangelistas, João tem seu foco em determinadas mudanças dispensacionais no ministério do Senhor que enfatizam o fato de que, no horizonte, já se vislumbrava uma transição do Judaísmo para o Cristianismo.
À medida que os capítulos vão sendo apresentados percebemos vários elementos e ilustrações do Cristianismo feitas pelo Espírito Santo. Estas características são do Cristianismo original, e não daquele corrompido pelas mãos dos homens. Ao mesmo tempo, diversas características importantes do Judaísmo são claramente deixadas de lado. Por exemplo, as festividades à quais o Senhor compareceu em Jerusalém são chamadas de “páscoa dos judeus” e “festa dos judeus” (Jo 2:12; 5:1; 6:4; 7:2 etc.); elas já não são vistas como Festas de Jeová como eram no passado. Além disso, em João 10:34 e 15:25 o Senhor diz “vossa lei” e “sua lei [deles]”. Aquela era a Lei de Deus, mas agora, em razão do mau uso que os judeus fizeram dela, já não era mais considerada assim. Paulo faz o mesmo em Gálatas 1:13 ao chamar de “Judaísmo” ou “religião dos judeus” o outrora venerado culto a Deus — literalmente “na religião dos judeus”. Repare também que há uma mudança em Mateus 21:13, onde o Senhor diz “Minha casa”, e Mateus 23:38, onde está “vossa casa”. Assim João escreve da perspectiva da antiga dispensação como tendo sido colocada de lado e não sendo mais reconhecida por Deus, até mesmo enquanto o Senhor ministrava na terra.



A necessidade de se manejar corretamente a Palavra da Verdade

A necessidade de se manejar corretamente a Palavra da Verdade

As Escrituras dizem: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja [reparte] bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15). Este versículo indica que a Palavra de Deus possui divisões, e se quisermos ser aprovados diante de Deus precisamos saber distingui-las em nossos estudos das Escrituras. A tendência da maioria dos cristãos é enxergar a Palavra de Deus como uma massa indistinta de versículos bíblicos que teriam sido todos escritos especificamente para nós, os crentes no Senhor Jesus. Todavia, existem coisas que foram escritas para Israel e pertencem àquele povo, e há também coisas que foram escritas para a Igreja e dizem respeito especificamente a ela. As Escrituras fazem distinção entre estes dois grupos de pessoas abençoadas como sendo entidades distintas das nações gentias. Ela diz: “Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus (1 Co 10:32). Manejar ou repartir bem a Palavra da Verdade é estudar a Bíblia, observar, e entender as distinções que Deus fez entre estes diferentes grupos. Israel, Igreja e Gentios têm vocações, bênçãos e destinos completamente diferentes no plano de Deus para a bênção dos homens. Cada grupo foi chamado com o propósito de manifestar as glórias e excelências de Cristo em diferentes esferas de Seu reino vindouro, não apenas na terra, mas também nos céus:
  •         ISRAEL“A esse povo que formei para mim; o meu louvor relatarão (Is 43:21; 60:1-22; Sl 79:13).
  •         GENTIOS“E os gentios... publicarão os louvores do Senhor (Is 60:3-6).
  •         IGREJA“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2:9; Ap 21:10-11).

O fato de 2 Timóteo 2:15 dizer “... que maneja [reparte] bem a palavra da verdade” indica que as Escrituras podem ser mal manejadas ou repartidas e aplicadas. Este tem sido o caso do método pactualista de interpretação bíblica que examinaremos no final deste livro. Portanto, é preciso ter cuidado no manuseio das Escrituras e prestar atenção às distinções entre o que é interpretação e o que é aplicação.

Como cristãos, somos culpados de cristianizar as Escrituras que não foram dirigidas a nós e imaginar que elas tenham sido. Pegamos passagens que foram claramente escritas para Israel e imaginamos que estejam se referindo à Igreja. Um exemplo disto são os subtítulos de algumas Bíblias que aparecem no topo de várias páginas, particularmente nos livros dos Salmos e do profeta Isaías. Esses subtítulos, que não fazem parte das Escrituras divinamente inspiradas, foram adicionados pelos tradutores para instruir o leitor (infelizmente de forma errada) que essas passagens teriam sido escritas (na opinião deles) para a Igreja, quando elas foram claramente escritas para Israel. É compreensível que isso tenha acontecido, já que os tradutores eram teólogos reformados da Teologia do Pacto. Não estamos dizendo que os cristãos não deveriam ler e buscar por lições morais e práticas nas passagens do Antigo Testamento — 1 Coríntios 10:11 e 2 Timóteo 3:16 indicam que devemos fazê-lo. Mas isto não significa que as passagens do Antigo Testamento tenham sido escritas para cristãos, pelo menos quando o assunto é a interpretação. Romanos 15:4 diz: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança”. Aquelas coisas no Antigo Testamento foram escritas “para” nós, mesmo que não tenham sido dirigidas “a” nós. Isto é algo que deve ser observado e compreendido por todo estudante da Bíblia.


INTRODUCAO

INTRODUÇÃO
Teologia do Pacto ou Dispensações

Qual a maneira correta de se interpretar as Escrituras?

Quando o assunto são os princípios básicos de interpretação das Escrituras, o mundo cristão está dividido em duas principais correntes. Independente de estarem ou não cientes disso, conforme a posição que adotam, em relação a Israel e à Igreja e aos santos do reino milenial, no propósito de Deus para a bênção futura do homem no reino de Cristo, os cristãos são identificados por seguirem ou a “Verdade Dispensacional” ou a “Teologia do Pacto”.
É triste ter de admitir que desde o seu princípio a Igreja fracassou em guardar “o bom depósito” ou a verdade que lhe foi confiada (2 Tm 1:14). Uma das muitas coisas que foram perdidas ao longo dos anos foi a verdade dispensacional. Ela foi ensinada pelo apóstolo Paulo, todavia de algum modo acabou incompreendida e perdida nos primeiros séculos da história da Igreja. Com a perda dessa verdade foram introduzidos muitos erros na profissão cristã. Um destes erros é a Teologia do Pacto. Trata-se da crença de que a Igreja seria um cumprimento das profecias do Antigo Testamento concernentes a Israel. Este erro foi inicialmente ensinado por homens como Agostinho (400 D. C.). Mais tarde, por ocasião da Reforma Protestante (nos anos 1500), ele foi transformado em um sistema de doutrina conhecido hoje como “Teologia do Pacto” ou “Teologia Reformada”. Infelizmente há muito tempo a Teologia do Pacto é aceita como o método ortodoxo de interpretação da Bíblia pela grande maioria da profissão cristã. Quer sejam os católicos ortodoxos ou romanos, ou os reformadores protestantes com suas igrejas nacionais, ou as muitas denominações dissidentes que saíram desses grupos, a maioria — senão todos — aceitou esta interpretação errônea do propósito de Deus em abençoar os homens sob o reino de Cristo. Foi somente nos anos 1800 que Deus efetuou uma restauração completa da verdade “que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd 3) e a verdade dispensacional voltou a ser conhecida.

A Figura indica que a maior parte da cristandade adota uma interpretação pactualista e não dispensacionalista da Bíblia

Cremos que todos os cristãos precisam ter uma compreensão básica da verdade dispensacional. Sem isto ficaremos à deriva na profissão cristã de nossos dias. As consequências de não se enxergar a distinção entre o modo de Deus tratar com Israel e com a Igreja são significativas, no que diz respeito ao reino milenar de Cristo que se aproxima. Isso leva a muitos erros, desde uma escatologia incorreta (estudo dos eventos futuros) até uma eclesiologia incorreta (estudo da doutrina e prática da Igreja). Isto influencia também os objetivos das pessoas envolvidas no serviço cristão.



Prefacio

Prefácio

O assunto “Dispensacionalismo versus Teologia do Pacto” foi inicialmente abordado pelo autor em uma série de palestras em Kirkland, Washington, em Março de 2012. Não foi possível na ocasião tratá-lo de forma tão ampla quanto se desejava, em razão de ter sido apresentado como palestras públicas. Esta publicação nos deu a oportunidade de expandir as observações apresentadas naquelas palestras e tratar o assunto de forma mais completa.
Este livro apresenta o modo dispensacional de Deus e inclui uma exposição dos principais erros da Teologia do Pacto. A fim de apresentar a verdade de forma clara e simples, e expor aquilo que não está em conformidade com as Escrituras, o autor não tem qualquer intenção de humilhar cristãos que professem os erros da Teologia do Pacto. O desejo sincero do autor é que este livro sirva de “luz nas trevas” a todos aqueles que estejam verdadeiramente em busca da verdade (Sl 112:4). Nossa oração é que o leitor venha a obter um melhor entendimento do propósito de Deus em glorificar a Seu Filho nos céus e na terra.
Gostaríamos de encorajar cada crente a considerar o fato de que o Senhor dá grande valor àqueles que estão dispostos a pagar um preço para professar e andar na verdade, e Ele irá recompensar adequadamente cada um naquele dia vindouro. “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3:11; 22:12).
É com profundo amor e afeição por toda a Igreja de Deus e com o desejo de servir de ajuda a todos os cristãos que publicamos este livro. Que Deus possa abençoar ricamente Sua Palavra.
Bruce Anstey
Setembro de 2012



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