Tradução em andamento do livro “A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?” por Bruce Anstey
Este livro encontra-se em processo de tradução, portanto para uma leitura mais ordenada sugiro que comece pela postagem mais antiga no Arquivo da coluna da direita.

MATEUS 16-17

Os líderes dos judeus (“fariseus” e “saduceus”) se unem para confrontar o Senhor quanto ao Seu Messianismo (cap. 16:1-4). Eles manifestavam a falta de fidelidade existente na nação por ocasião da primeira vinda do Senhor. Eles eram capazes de “discernir a face do céu”, mas não conseguiam discernir “os sinais dos tempos”. Como havia sido previsto por seus profetas, na “plenitude dos tempos” (Gl 4:4) Deus havia visitado o Seu povo enviando o Messias, mas por cegueira e incredulidade eles não perceberam (Is 53:2). Consequentemente o Senhor anunciou que não daria a eles nenhum outro sinal, indicando assim que Seu testemunho Messiânico para a nação estava encerrado. Então Ele “deixando-os, retirou-Se”. Mais uma vez isso era uma ação simbólica indicando que Ele estava prestes a romper suas conexões com a nação.

Então o Senhor levou “seus discípulos para o outro lado” do mar da Galileia (Mt 16:5-12). A jornada pelo mar indicava a nova direção que Deus estava prestes a tomar em Seus planos de alcançar os gentios, dos quais o mar é uma figura (Ap 17:15). Naquela ocasião o Senhor advertiu Seus discípulos para que se separassem dos corruptores princípios e práticas (“fermento”) da porção incrédula da nação.

Quando eles chegaram “às partes de Cesaréia de Filipe” (uma colônia romana na terra de Israel), o Senhor começou a ensinar Seus discípulos da novidade que estava prestes a introduzir -- “a Igreja” (Mt 16:13-20). É significativo que o Senhor tenha levado Seus discípulos para uma região de gentios a fim de ensinar estas coisas a eles. Trata-se do ponto mais distante da terra em relação a Jerusalém, e isto sugere que para alguém compreender corretamente a verdadeira natureza da vocação da Igreja é preciso que haja uma separação prática de tudo aquilo que represente Jerusalém em termos de um sistema de adoração (o “arraial” de Hebreus 13:13). O Senhor anuncia que iria edificar a “Igreja” sobre o fundamento da confissão acerca dele de que era “o filho do Deus”. Ele também admoestou Seus discípulos para que cessassem sua missão de dizer à nação “que ele era Jesus, o Cristo” (ou o “Messias”, conforme João 1:41).

Então o Senhor anunciou que, depois de rejeitado, iria morrer pelas mãos “dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas” (Mt 16:21-23). Aprendemos em outra parte que a obra que Ele estava prestes a cumprir sobre a cruz fazendo a expiação seria o meio de bênção generalizada para os homens. Além do mais, Ele anunciou que a senda do discípulo que se propusesse a segui-Lo como um Salvador rejeitado seria, no momento presente, a senda dos fiéis (Mt 16:24-26). O Senhor terminou Seu discurso falando de Sua vinda como “o Filho do Homem” e do estabelecimento do “Seu reino” (Mt 16:27-28). Estas coisas apontam para o Milênio que virá após o presente período.

O Monte da Transfiguração no capítulo seguinte (17) nos dá uma visão prévia do reino milenial vindouro de Cristo. As palavras “seis dias depois” vistas à luz de 2 Pedro 3:8 e do Salmo 90:4 sugerem que a manifestação da glória da vinda do reino de Cristo acontecerá depois da história de 6 mil anos do homem na terra.

“Moisés e Elias” com o Senhor no monte representam as duas classes de santos celestiais no reino -- os ressuscitados e os levados vivos para a glória no Arrebatamento (vers. 1-13). Os três apóstolos (“Pedro, Tiago e João”) receberam um lugar de proximidade do Senhor e representam o remanescente de judeus. Os outros apóstolos, ao pé do monte, representam o remanescente das dez tribos de Israel. A “multidão” e particularmente “um homem, pondo-se de joelhos diante dele”, aproximando-se por fé, representa as nações gentias que se prostrarão diante de Cristo, o Rei (Sl 18:44; 66:3; 72:11; 81:15). Tudo isso compõe uma imagem das várias classes de santos celestiais e terrenos no reino. Digno de nota aqui é que eles não são um grupo indistinto de pessoas (como ensina a Teologia do Pacto), mas são grupos separados de pessoas e distinguidos assim.

O Senhor libertou o filho daquele homem do “demônio, que saiu dele, e desde aquela hora o menino sarou” (Mt 17:14-21). Isso aponta para a derrota de Satanás, quando o Senhor lançar a ele e a seus anjos no abismo (Is 24:21-22; Ap 20:1-3). O menino curado é uma amostra da cura e bênção que o Senhor trará a todo o mundo (Ml 4:2).

A cena final do capítulo 17 traz Pedro lançando o anzol “ao mar” e pescando um peixe com uma moeda em sua boca (vers. 24-27). Isto representa a nação de Israel durante o milênio valendo-se da “abundância do mar”. As nações gentias de boa vontade pagarão tributo a Israel por causa da “glória do Senhor” que repousará sobre eles. “Então o verás, e serás iluminado, e o teu coração estremecerá e se alargará; porque a abundância do mar se tornará a ti, e as riquezas dos gentios virão a ti.” (Isaías 60:5 etc.).



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