Tradução em andamento do livro “A Dispensational or a Covenantal Interpretation of Scripture - Which is the Truth?” por Bruce Anstey
Este livro encontra-se em processo de tradução, portanto para uma leitura mais ordenada sugiro que comece pela postagem mais antiga no Arquivo da coluna da direita.

MATEUS 8:1-17

O Senhor desceu “do monte” para encontrar as multidões e foi imediatamente confrontado com um cenário de pecado, enfermidade e dor (vers. 1). Isto denota a triste condição das coisas neste mundo por ocasião do primeiro advento do Senhor. Achegou-se a Ele “um leproso” que estava ciente de sua doença e queria ser limpo. Sua fé era evidente, pois ele chamou a Jesus de “Senhor” e prestou a Ele uma homenagem digna de um rei (vers. 2 -- no original “prostrou-se” como se faz diante de um rei - N. do T.). Assim ele reconhecia a Cristo como Rei de Israel -- que é o tema básico do Evangelho de Mateus. O leproso é uma figura do remanescente de crentes que receberam o Senhor quando Ele veio à Sua nação -- como Pedro, Tiago, João, Maria, Marta etc. Toda a nação deveria ter tido a mesma atitude do leproso para com o Senhor.

O Senhor limpou o leproso e o enviou “ao sacerdote” (que devia ser quem declarara que aquele homem era homem imundo -- Levítico 13) “para lhes servir de testemunho” (vers. 3-4). Os Rabis acreditavam, e com razão, que apenas Jeová poderia curar um leproso (Nm 12:13-15; 2 Rs 5:14; Sl 103:3 etc.), portanto aquilo seria um testemunho inegável à nação de que Jeová havia realmente visitado o Seu povo na Pessoa de Cristo. A missão do leproso enviado aos sacerdotes é uma figura da missão dos discípulos do Senhor que Ele enviou aos judeus para testificarem que Ele viera para lhes trazer salvação e bênção (Lc 9:1; 10:1).

Todavia, os sacerdotes não receberam o testemunho do leproso. Isto fica evidente por não existir menção deles se regozijando e correndo receber o Messias. Ao invés disso o texto não faz qualquer menção de alguma iniciativa da parte deles; evidentemente eles não ligaram para o fato de o leproso ter sido curado. Isto aponta para a total infidelidade dos judeus por ocasião da primeira vinda do Senhor. A nação não queria recebê-Lo como seu Rei.

Nos versículos 5-13 a narrativa sofre uma mudança brusca. Somos apresentados a uma cena onde um “centurião” romano (um gentio) recebeu bênção em sua casa por ter exercido uma fé simples no fato de Jesus ser “Senhor”. Seu servo tinha uma forma debilitante de paralisia, o que é uma figura da condição impotente dos pecadores neste mundo que estão “fracos” (Rm 5:6). Todavia, ele foi “curado” pelo poder de Deus.

É significativo que o Senhor tenha realizado este milagre de curar o servo paralítico à distância -- sem visitar a casa do centurião. Isto nos fala do caráter da bênção que está sendo hoje derramada sobre os gentios pelo evangelho, numa época em que Cristo está ausente. Como o centurião chamou a Jesus de “Senhor”, os crentes hoje tirados de entre os gentios estão sendo introduzidos na bênção da salvação simplesmente por reconhecerem por fé que Jesus é “Senhor” (Rm 10:9). O meio pelo qual a bênção foi comunicada foi a “Palavra” (vers. 8), que é o que Deus está usando hoje para salvar os homens (At 13:26; 2 Ts 3:1; 2 Tm 4:2).

Esta mudança na narrativa -- da bênção que alcança um gentio -- indica a mudança que ocorreu no modo dispensacional de agir de Deus. Como consequência do fracasso dos judeus em reconhecerem a Cristo como seu Rei de direito, Deus os colocou de lado temporariamente e está agora alcançando o mundo gentio para tirar dele um povo para o Seu nome no presente Dia da Graça (At 15:14).

Depois que tiver “entrado a plenitude dos gentios” (Rm 11:25), representada pela cura do servo do centurião, o Senhor tomará um remanescente de Israel e o introduzirá na bênção. Isto está ilustrado na cena em que a sogra de Pedro se levanta depois de ter estado “acamada e com febre” (vers. 14-15). É o que acontecerá na segunda vinda do Senhor (Sua Manifestação), quando nascerá “o Sol da justiça, e cura trará nas suas asas” (Ml 4:2). Imediatamente após a restauração de sua saúde, a sogra de Pedro “levantou-se, e serviu-os”. Isto revela que quando Israel for restaurado naquele dia ainda futuro, o povo será um instrumento da bênção de Deus para o mundo. Eles serão chamados de “ministros de nosso Deus” (Is 61:6).

Digno de nota é que o Senhor “tocou” o leproso (vers. 3), e “tocou” a sogra de Pedro (vers. 15) mostrando assim Sua presença pessoal tanto em Seu primeiro quanto segundo adventos. Mas o Senhor não teve um contato pessoal com o servo gentio paralisado, cuja bênção foi recebida entre esses dois adventos. A bênção chegou a ele quando o Senhor estava distante. Como já foi mencionado, isto ilustra o modo como a bênção é dispensada por meio da Palavra de Deus ao mundo gentio na época atual, quando Cristo está ausente.

Apos curar a sogra de Pedro tem início um novo dia -- “chegada a tarde” é quando o dia começa segundo o calendário judaico. A bênção então saiu através do Senhor em todas as direções, não tendo ficado limitada à família de Pedro. Isto nos fala do tempo do reino milenial de Cristo, quando a bênção sairá por todo o mundo. Os “endemoninhados” foram libertos do poder de Satanás pelo Senhor que expulsou os “espíritos” maus. Isto indica Satanás sendo preso e lançado no abismo, juntamente com seus emissários, no início do dia milenial (Is 24:21; Ap 20:1-3). O Senhor também “curou todos os que estavam enfermos”. Isto nos fala, em forma de figura, da cura que acontecerá em escala mundial de todas as enfermidades e será característica o Milênio (Sl 103:3; 146:8; Is 33:24; 35:5-6).



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